Sindrome do Estudante Agosto 14, 2008
Posted by Francisco Trindade in Pensamentos.Tags: estimativas, goldratt, sindrome estudante
trackback
Um dos conceitos interessantes que eu aprendi lendo os livros do Goldratt é o da Sindrome do Estudante, que é definido assim pela Wikipedia (livre tradução):
Fenômeno onde pessoas começam a se esforçar para finalizar uma tarefa no último momento possivel antes do final do prazo. Isso leva a perda de qualquer buffer reservado para tarefas individuais durante estimativas.
É fácil entender porque esse conceito têm esse nome. Qualquer pessoa que já foi estudante sabe que sempre que tem um trabalho a ser feito, ele vai ser começado justamente quando não dá para atrasar mais, ou seja, no último momento possível.
O que eh dificil de se dar conta é que esse conceito se aplica também ao mundo dos negócios e, o que mais me interessa, no desenvolvimento de software.
Normalmente, quando o desenvolvedor vai estimar uma série de estórias para uma iteração, naturalmente um buffer de incerteza é colocado dentro de cada estimativa. Então se eu acho que uma tarefa vai demorar na melhor das hipóteses 1 hora, vou estimar 1 hora e meia só pra garantir.
Não tem nada de errado nisso, já que estimativas são chutes científicos, mas o problema é que todos esses buffers não são especificados nas estimativas, e ficam esquecidos dentro das tarefas individuais.
Na hora da implementação, o desenvolvedor acaba usando todo o tempo reservado para a tarefa na melhor das hipoteses. Devido a isso, quando uma tarefa apresenta maior complexidade do que o esperado, todos os buffers individuais que foram reservados para as tarefas anteriores já foram usados, fazendo com que o tempo para todas as tarefas seja maior do que o previsto.
Como resolver isso?
Estime todas as tarefas sob um ponto de vista otimista, e coloque todas as margens de segurança em um buffer único, que vai sendo utilizado na medida em que é necessário. Com isso, a procrastinação durante as tarefas é menor, levando a melhores resultados.
Ainda existem outras maneiras em que se pode observar esse fenomeno ocorrendo em desenvolvimento de software, mas como o texto está ficando grande, vou deixar isso para um próximo post.
Um abraco,
Francisco
Sobre o autor:



Outro conceiro interessante nesse sentido é a Sindrome de Parkinson (não a doença) onde, independente do tempo disponível, a pessoa consumira todo o buffer para a execução da tarefa. Junte esses dois e qualquer estimativa de tempo em projeto vai pelos ares.
[...] sobre estimativas de prazos, grau de incerteza (ao estimar), e problemas de produtividade como a sindrome do estudante (deixar sempre para a ultima hora) e Lei de Parkson (mesmo que a atividade esteja pronta utiliza-se [...]