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O Poder da Ignorância Abril 28, 2009

Posted by Francisco Trindade in Experiências, Pensamentos.
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Ao longo de nossas vidas, investimos uma quantidade enorme de tempo estudando e praticando habilidades que consideramos importantes, com a expectativa de estarmos prontos quando chegar o momento de utilizá-las. Apesar de ainda concordar com o paradigma da prática/estudo, estou começando a perceber que saber tudo não é a melhor solução em todos os casos. Esse pensamento chamou minha atenção novamente ao ler um artigo recente da revista britânica Sport, sobre as condições que tornaram possível a conquista de diversas medalhas de ouro pela equipe de ciclismo britânica nos ultimos Jogos Olímpicos (para dar um contexto, a Inglaterra nunca tinha ganhado muita coisa em ciclismo.. se você quiser saber mais sobre esse assunto, você pode ler isso aqui).

O que me chamou a atenção foi a descrição do grupo de investigação e desenvolvimento, responsável por descobrir as melhores tecnologias a serem utilizadas pelos ciclistas. O que não é muito comum é que esse grupo realmente colabora com muitas pessoas fora da indústria de ciclismo, como equipes de F1, empresas da industria aeroespacial e de defesa. Quando perguntado sobre a razão desse intercâmbio inusitado, o chefe de desenvolvimento respondeu (livre tradução):

Nós realmente damos valor à ignorância. Então temos que fazer perguntas para quem realmente não sabe nada sobre ciclismo. Um especialista em aerodinâmica vai perguntar: ‘Por que vocês fazem assim? “Nós vamos olhar uns para os outros e dizer:’ Eu não sei.” Isso realmente abre as coisas.

Esta opinião também é compartilhada por Richard S. Wurman, em seu livro Information Anxiety, onde ele descreve problemas comuns de compreensão, citando a síndrome do parecer do expert (novamente, livre tradução):

Nós tendemos a acreditar que o quanto mais experiente a pessoa for, o mais informados nos seremos. Mas nós tendemos a esquecer que o perito não é de forma alguma sinônimo de um parecer objetivo. Infelizmente, a maioria dos especialistas vêm com um viés que torna obter informações objetivas quase impossível.

E quando se trata de desenvolvimento de software, esta situação pode ser facilmente visto em treinamentos, quer seja internos ou externos. Não é raro ver um coach aplicar pareceres tendeciosos, onde eles chegam com opiniões formadas e soluções a serem aplicadas a todos os problemas, não considerando as condições enfrentadas pela equipe. Resolver problemas, complexos ou não, tem que ser feito com a mente aberta. Temos que assumir nossa ignorância quando enfrentamos qualquer situação nova, para que possamos compreendê-la melhor e fornecer a melhor solução.

Ps: Esse post é uma tradução de um post originalmente publicado no meu blog: Ignorance is Bliss

Sobre o autor:

Frank Trindade

Francisco Trindade

Francisco Trindade é desenvolvedor e consultor da ThoughtWorks UK. Engenheiro de Computação e mestre em Engenharia de Software pela UFRGS, Francisco possui diversos anos de experiencia em desenvolvimento de software, alem de ser um entusiasta e praticante de metodologias ágeis.

Comentários»

1. André Faria Gomes - Abril 29, 2009

Muito bom Francisco. Abraço.

2. Juliano Ribeiro - Maio 13, 2009

Olá Francisco. Eu mantenho um site sobre assuntos acadêmicos, e como não vi informação de direitos aqui, gostaria de saber se tem algum problema de eu copiar esse artigo para lá, com os devidos créditos obviamente.

Grato

3. Francisco Trindade - Maio 13, 2009

Oi Juliano.

Nao tem problema nao, eh soh copiar.
Apenas por curiosidade, qual eh o site?

Um abraco,
Francisco

4. wedna - Setembro 15, 2009

parabens pelo site pois o tema que voce abordou foi mas um meio de mostrar uma realidade que acontece no contidiano dos seres humanos..
adoreiii…
um grande abraço…