Aprendizado pela dor e pelo medo

O mundo inteiro está bastante preocupado com a gripe H1N1 (Também conhecida por gripe suína), porém observando toda a movimentação social que o medo dessa gripe tem gerado, vejo um padrão intrigante de nossa mentalidade, que somente a dor ou o medo podem despertar. E qual o motivo de eu estar falando de gripe num Blog sobre Agilidade? A resposta é simples: Mudança de Atitude!

No caso dessa gripe, vemos que para minimizar as formas de contágio, há uma forte movimentação nas escolas, locais públicos e empresas com a questão da higienização.  Um dos exemplos mais básicos disso é que cada vez mais as pessoas estão mudando os seus hábitos com relação a uma lavagem mais eficaz das mãos (até mesmo usando álcool em gel).

Ora a higiene é algo bem básica e deveria já fazer parte do dia a dia de cada indivíduo, porém, por que somente com a ameaça eminente de uma pandemia as pessoas efetivamente começam a mudar suas atitudes diárias com relação à higiene?

Mas se olharmos mais além, vemos outro exemplo mais triste ainda: Pois somente quando sentimos na pele os efeitos (catástrofes naturais, aumento de temperatura, etc.) dos péssimos cuidados ao meio ambiente, é que realmente vemos as pessoas começando a ensaiar práticas que objetivam ter uma relação mais sustentável com o nosso ecossistema.

Fechando então a serie de exemplos trágicos, recentemente vimos muitas empresas (de pequeno e grande porte) mudarem sua filosofia e forma de trabalho, para minimizar ou evitar os efeitos da crise econômica mundial e com isso continuarem mantendo sua liquidez e rentabilidade (e principalmente, continuarem existindo).

E o que Agilidade tem a ver com todos esses eventos? A resposta é mais singela ainda, pois infelizmente vejo que muitas empresas precisam passar por grandes dores ou temerem algo muito grande, para também começarem a ver que Agile pode ajudar a geração de resultados diferentes.

É importante notar que esses resultados diferentes são estimulados por um forte desenvolvimento de pessoas, uma grande busca pela eliminação de desperdício em todas as suas formas e principalmente um meio de construir uma relação humana mais sustentável em todas as suas esferas (equipes, fornecedores e clientes).

Na verdade até vejo esse aprendizado pela dor como algo natural e que advoga ao nosso favor, uma vez que Agile têm uma herança muito grande no Pensamento Lean, onde sua abordagem de eliminação de desperdício nasceu pela necessidade de se trabalhar num contexto Japonês de crise e destruição após a segunda guerra.

Também assim como o Lean, muitas metodologias ágeis como Scrum, XP e FDD, foram criadas em ambientes organizacionais com crise e que estimularam fortemente a mudança de atitude necessária para a filosofia Ágil nesses ambientes, ou seja, mais uma vez o velho aprendizado pela dor em ação.

Portanto para finalizar esse texto, deixo aqui meu recado para você: Caso realmente queira resultados diferentes, aproveite ao máximo as pequenas crises de seu ambiente de trabalho para estimular novas e melhores atitudes em sua organização, pois infelizmente, é assim que a humanidade funciona.

Sobre o autor:

Manoel Pimentel, CSP

Manoel Pimentel Medeiros, É Engenheiro de Software, com 15 anos na área de TI, atualmente trabalha como Coach em Agile, Lean e TOC para empresas do segmento de serviço, financeiro e bancário. É Diretor Editorial da Revista Visão Ágil e Editor Chefe da InfoQ Brasil, Já escreveu sobre agile para importantes portais e revistas do Brasil e exterior e Também palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Possui as certificações CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil.

Contatos: manoel@visaoagil.com

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7 thoughts on “Aprendizado pela dor e pelo medo

  1. Olá, eu acho que a principal razão disso é o fato de que os problemas que nós temos agora não foram previstos anteriormente. E, em alguns casos, seria impossível que isso acontecesse. Por exemplo, quando inventaram o carro, não sabiam que ele seria um poluídor mundial, entre outros.
    Mas, como você disse no texto, mesmo assim as pessoas e empresas demoram algo doloroso acontecer, ou estar prestes a acontecer, para tomar uma atitude evolutiva.
    É o famoso “click”, as pessoas precisam de interferências externas para que possam amadurecer e crescer. Assim, enquanto algumas o recebem esse estímulo antes que a “dor” fique crônica, outras podem ver seu trabalho ir “por água abaixo”, sem saber como resolver.

    Sobre a gripe suína (e o texto): tomara que as pessoas entendam a importância da higiene e continuem esses hábitos tão melhores para elas mesmas.

    Mudar para melhor é processo e deve ser feito continuamente, sempre.

    Muito legal o texto!

  2. Muito bom!
    É bem fácil notar que pela teoria de Darwin as espécies tem que evoluir para continuar sobrevivendo. Isso é apenas o reflexo do fato de ser humano ser uma espécie de animal não tão racional quanto achamos.

    Se estamos em um ambiente hostil, seremos hostis. Se tratado com violência, seremos violentos. Porém, isso não é desculpa para nos acomodarmos. Temos grande exemplos de pessoas que venceram o instinto e a própria natureza. Me lembro bem de Gandhi. =)

    De qualquer forma, ótimo artigo… vai ser vir muito no coaching que estou no momento.

    Abração.

    • Valeu Grande Felipe!!!!!

      Ótimas observações, principalmente pela lembrança de Gandhi!
      De fato, todo e qualquer problema (dor), de certa forma estimulou nossa evolução (e continuará estimulando).

      Abs,

  3. Muito bom este artigo Manuel, parabéns! Você foi muito feliz nesta analogia e concordo plenamente. O que vale é o que fazemos sem nos preocupar se alguém irá nos cobrar, e fazer de forma disciplinada sempre vai nos ajudar a fazer melhor (kaizen)… mas enfim há momentos em que precisamos estar “vendo a coisa feia” para se dar conta disso.
    Valeu muito.
    Abraço!

  4. Otimo post Manoel!
    Queria fazer 2 comentarios com relacao ao post.

    – Gostei muito da analogia com relacao a gripe suina e gostaria de acrescentar um detalhe sobre ela fazendo tambem uma analogia com o Agile. Moro na Australia, onde o indice de gripe suina eh enorme… No inicio estavamos com medo exatamente como vc citou, usando gel, mascaras na rua, etc. Agora, a gripe ja se tornou doenca comum na Australia, tao normal quanto uma gripe simples. Conheco inumeras pessoas que ja tiveram e ficaram boas em 1-2 semanas… O panico foi criado pela midia. Creio que isso tambem aconteca algumas vezes no nosso mundo de desenvolvimento de software. Um “fake panic” introduzido para gerar mudanca. Infelizmente, na minha opiniao, o objetivo do panico gerado nao foi para as pessoas se tornarem mais higienicas…

    – O meu outro comentario eh sobre fato de que as metodologias ageis serem mais facilmente introduzidas em um ambiente no momento de uma crise. Eu concordo 100% com vc! Inclusive ja tive problemas de tentar introduzir praticas para uma equipe se tornar “mais barata”, “mais rapida”, “leaner” e ninguem conseguiu ver os beneficios pelo fato de que para aquela equipe, naquele momento, era “melhor” ser “mais cara”. E isso acontece devido a inumeros fatores. Alocacao de budget sendo um deles. Budget alocado, tem que ser gasto, quanto mais gastar, melhor. Se nao gastar o budget sera cortado no ano que vem… Outro fator que ja identifiquei quando “ser mais caro eh melhor” eh quando algum dos stakeholders do projeto querem dizer “Nosso time entregou um projeto de X milhoes com sucesso” ao inves de “Nosso time entregou um projeto de X mil com sucsso”… As vezes, quanto maior e mais caro parece que foi dificil entregar algum projeto. Quando na verdade, deveria-se olhar para os projetos baratos que agregam valor pra organizacao…

    Nossa! Ja escrevi muito.. .acho que transformar isso num post:
    “The more expensive the better” :)

    Abraco!

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