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O que matou o RUP pode matar o Agile Outubro 5, 2009

Posted by Rodrigo Yoshima in Business, Experiências, Liderança, Scrum, xp.
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Desde algumas polêmicas que ocorreram no Scrum Gathering neste ano, tenho discutido em diversos fóruns de discussões e eventos sobre o que tem ocorrido com a nossa comunidade de desenvolvimento ágil. Eu temo pelo o que pode ocorrer com o Agile aqui no Brasil. O que matou o RUP pode também matar o Agile.

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Você gera ROE com o seu tempo? Setembro 8, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Liderança, Pensamentos, coaching.
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Olhe um pouco para o que você tem feito na sua vida! É difícil?  Então tente apenas olhar para o seu dia de hoje (não importa onde esteja: trabalho, casa, etc) e me responda sinceramente: O que você está fazendo com a sua energia hoje? Será que você está gerando o ROE necessário nesse seu dia?

Talvez você já conheça o termo ROI (Return On Investment – Retorno sobre Investimento) ou então você está imaginando que eu esteja tratando aqui do Return On Equity (Retorno sobre o Patrimônio).  Mas na verdade o que estou abordando é bem menos exato e você pode responder sem grandes dificuldades, pois o objetivo desse texto é lhe despertar uma reflexão: Se você está gerando (ou não) o Retorno sobre  Energia (ROE) nas coisas que você faz (ou deixa de fazer)!

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Crie uma cultura baseada na transparência e confiança Setembro 1, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Lean, Liderança.
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Imagine ou lembre que você está solteiro e morando sozinho em sua casa… Conseguiu? Se sim, seja sincero comigo: Por quanto tempo você deixa sua casa bagunçada? Não saberei exatamente qual será sua resposta, mais de uma coisa estou certo: UM SOLTEIRO DEIXA A CASA BAGUNÇADA POR UM LONGO TEMPO.

Normalmente um solteiro só arruma a bagunça de sua casa, sempre que há uma necessidade iminente de receber uma visita qualquer (família, amigos, amigas, paqueras, etc.).  Dessa forma, vamos refletir um pouco: Qual o motivo de um solteiro fazer isso somente estimulado pela visita de alguém?  A resposta é pura é simples, O desejo de mostrar uma boa imagem para os outros.

Já falei um pouco sobre esse assunto no artigo Vencendo o estado de negação numa Sprint Retrospective, onde abordei algumas questões psicológicas referentes ao Ide, Ego e Superego, principalmente pela dimensão do superego, que é a instância da personalidade responsável pela projeção positiva de nossa imagem, orientada aos valores de certo e errado do universo social que estamos inseridos.

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Aprendizado pela dor e pelo medo Agosto 16, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Pensamentos.
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O mundo inteiro está bastante preocupado com a gripe H1N1 (Também conhecida por gripe suína), porém observando toda a movimentação social que o medo dessa gripe tem gerado, vejo um padrão intrigante de nossa mentalidade, que somente a dor ou o medo podem despertar. E qual o motivo de eu estar falando de gripe num Blog sobre Agilidade? A resposta é simples: Mudança de Atitude!

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Empatia – A sua chance para uma boa liderança! Agosto 2, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Lean, Liderança, Scrum.
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Talvez uma das frases mais clichê das organizações seja: “Não é nada fácil ser um líder!”, não somente pela complexidade comum nas relações humanas, mas principalmente pela dificuldade que é compilar ao seu favor o imenso e variado arsenal de idéias existentes sobre o tema liderança.

Não pretendo com esse breve texto discorrer sobre alguma dessas idéias como solução matadora para uma melhor liderança, pois apenas vou compartilhar uma opinião pessoal de um elemento que ajuda significativamente qualquer tipo de líder, porém, antes de chegar nesse elemento, permita apenas me sustentar em dois singelos pensamentos de Peter Drucker:

  • O primeiro fragmento de pensamento de Drucker é “Baseie sua estratégia em situações, não em fórmulas”, o que me dá bastante conforto com idéias como Liderança Situacional e também com a abordagem da Inspeção e Adaptação (tão importantes nas metodologias ágeis), para mostrar que não existe uma única forma de trabalho adequada para todas as situações (o que reafirma ainda mais o primeiro parágrafo desse texto).

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Não existe uma ideia PainKiller, então viva a incerteza! Junho 22, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Lean, Pensamentos, Scrum.
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No título acima estou referenciando uma famosa música da banda de rock (heavy metal) Judas Priest para tentar explicar que na prática não existe uma ideia matadora de todos os problemas, mas sim evidenciar que a incerteza nossa de cada dia, é chave para nossa evolução e aprendizado mesmo que isso ocorra em pequenos passos.

É interessante refletir que esse singelo conceito está por trás da Agilidade, porém não o compreendemos ou simplesmente o esquecemos; Talvez isso ocorra devido ao fato desse conceito misterioso ir muito além da abrangência de Agile como metodologia, pois trata-se de uma forma de olhar e tratar os tormentos comuns à visão dialética e à inconstância própria da natureza humana.

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Agile NÃO é para preguiçosos Junho 7, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Lean, Pensamentos, Scrum, xp.
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Após alguns bons anos de adoção e evangelização de Agile, tenho orgulho em dizer que tenho pouquíssimas certezas sobre o tema (pois a magia é inspecionar e adaptar o conhecimento continuamente). Porém, uma dessas poucas certezas é: Se você for preguiçoso,  FUJA das metodologias ágeis.

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Não Cresça! Maio 21, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Pensamentos.
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Vou lhe compartilhar um pensamento que talvez pareça um pouco radical, contra-senso, complexo de Peter-Pan  ou que é da influência hippie e comunista que recebi dos meus pais quando criança, porém, caso você esteja iniciando uma empresa nesse momento, permita lhe dar uma pequena sugestão: “Não Cresça!”.

Essa minha humilde opinião é oriunda da constatação de que as empresas ditas como “grandes” têm uma complexidade de funcionamento e de pensamento tão evidente, que simplesmente é muito difícil ou até mesmo impossível fazer as coisas certas acontecerem nessas organizações.

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Estimativa não é ciência exata Abril 2, 2009

Posted by Rodrigo Yoshima in Business, Pensamentos, Scrum.
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Uma das coisas que mais gosto nas práticas ágeis de planejamento e estimativa é exatamente o fato de não existir métricas individuais. Sim, nas equipes existem pessoas mais produtivas do que outras, porém, a variabilidade é tão grande entre pessoas e entre iterações que isso não vale a pena ser controlado, pois não somos robôs. Fred Brooks diz que há variação de até 80% na produtividade entre programadores. Algo que não ocorre com pedreiros como exemplo.

As práticas do Scrum e das estimativas ágeis (Planning Poker, literatura do Mike Cohn) são muito humanistas. Não são fatores deterministas que darão a produtividade da equipe. Se alguém na equipe teve que se ausentar, está com problemas na família, está doente ou está grávida, tudo isso é levado em conta na sua velocidade e ninguém é melhor que a própria equipe para fornecer parâmetros sob essa ótica tão empírica. Não é um gerente ditador que faz a equipe engolir a métrica. A EQUIPE É RESPONSÁVEL PELA ESTIMATIVA, sob todos os aspectos. É isso que faz a métrica funcionar.

No treinamento Scrum da Aspercom nós temos atividades práticas com estimativas ágeis, e é muito interessante como a aceitação de tal métrica é geral. Vejo o mercado cansado de métricas pesadas e pouco assertivas.

Leia o artigo completo e comente no blog “Débito Técnico” da Aspercom:
http://blog.aspercom.com.br/2009/04/02/estimativa-nao-e-ciencia-exata/

Artigo Utilizando metáforas no design de software Fevereiro 22, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Modelagem Ágil, Notícias, xp.
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Felipe Rodrigues, Diretor da Fratech IT, nos presenteia novamente com um excelente artigo chamado “Utilizando metáforas no design de software”, onde aborda questões muito pertinentes da neurociência, aplicadas ao processo criativo dentro do desenvolvimento do software.

Esse artigo através dos temas As metáforas vem para ajuda, Metáforas e os métodos ágeis, Metáforas e Domain Driven Design, Metáfora do Sistema e Criando metáforas, dá uma ênfase bem grande, na visualização e aplicação de metáforas para estimular uma melhor compreensão acerca da dialética relação de criar soluções tecnológicas alinhadas ao desejo do cliente.

Mais uma vez sugiro a leitura completa desse artigo, para ampliar a sua compressão acerca dos mistérios dessa complexa e fascinante atividade de desenvolver software (ou melhor, soluções) para os seus clientes. Portanto, o link para acesso ao artigo completo é: http://www.fratech.net/comunidade/exibir/47 .

Escopo Iterativo e Incremental para o Gerenciamento Ágil de Requisitos Fevereiro 5, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, FDD, Lean, Scrum, Técnicas de Desenvolvimento, xp.
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Introdução

Um dos primeiros desafios quando se implanta metodologias ágeis, é nivelar qual o entendimento necessário para iniciar um projeto de desenvolvimento de software e como prover uma gestão de requisitos alinhada com a necessidade de entregas e com a aderência necessária dentro de uma organização, portanto, nesse texto pretendo provocar uma reflexão através de alguns conceitos básicos, sobre como que através da filosofia incremental e iterativa das metodologias ágeis, podemos ter um escopo de um produto suficientemente informativo para iniciar e conduzir um projeto de desenvolvimento do mesmo.

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Melhoria contínua e efetiva através do Hansei e Kaizen Janeiro 6, 2009

Posted by Manoel Pimentel in Business, Lean.
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Segundo as visões de Taiichi Ohno e Shingeo Shingo, que figuram como grandes pensadores do STP (Sistema Toyota de Produção ou TPS – Toyota Production System), um dos pontos chaves para a evolução desse sistema produtivo, é a prevenção às reincidências de problemas em qualquer nível do processo, para que seja possível alcançar um estado de melhoria contínua e efetiva sobre a forma de trabalho e acerca dos produtos desenvolvidos.

Para sustentar essa filosofia, o STP evidencia dois grandes elementos muito fortes da cultura oriental, que são o Hansei e Kaizen, que conforme mostro abaixo, apesar desses elementos serem benéficos isoladamente, sua sinergia quando juntos, torna-se essencial para a aplicação da melhoria contínua dentro do Pensamento Lean.

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Dê Atenção ao Ponto Certo Dezembro 17, 2008

Posted by Francisco Trindade in Business, Pensamentos.
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Esse post veio de uma discussão no pub com a Liz, e na verdade foi originado de um pensamento que está na minha cabeça faz um tempo, e recentemente voltou devido as minhas atuais leituras (para não dizer também em meus projetos recentes…)

Eu costumo participar (melhor dizendo, acompanhar, ja que participo só de vez em quando : ) ) em algumas listas de discussão por email, e uma pergunta que frequentemente volta a tona é a seguinte: O que eu deveria fazer com pessoas aparecendo tarde/não aparecendo para a reunião diária do time de manhã? E essas perguntas normalmente vem acompanhadas de afirmações como essa: “Nós já tentamos de tudo: esperar, não esperar, punir os atrasados, fazer eles comprarem sorvete, etc… e nada funciona”

E essa situação voltou a minha cabeça recentemente, enquanto eu estava lendo o livro do Ricardo Semler, Você Está Louco!, quando ele descreve a introdução de horários flexíveis na sua empresa.

Para fornecer algum contexto, para quem não conhece, Ricardo é o dono da Semco, um conglomerado de empresas que tem negócios em diferentes áreas, desde construção de navios até gerenciamento de hotéis, mas é mais conhecido pela democracia industrial que ele vem implantando em suas empresas desde os anos 80.

Essa situação particular que ele descreve no livro aconteceu quando a Semco, nos anos 80, estava implantando horários de trabalho flexíveis em uma linha de produção e, conforme esperado, a maioria dos diretores foi totalmente contra a idéia, por um princípio básico: para uma linha de produção funcionar, todo mundo tem que trabalhar ao mesmo tempo.

E a resposta dele para isso foi:

É obvio: se os empregados não estão trabalhando ao mesmo tempo, a linha de produção para. Nós sabemos disso, mas os adultos que trabalham na linha de produção também sabem. E porque eles colocariam a sua produtividade e os seus empregos em risco? Se eles não estão precoupados com o quanto a linha de produção está produzindo, então nós temos um problema muito maior, e o quanto antes descobrirmos, melhor.

E isso foi o que aconteceu. Um dia antes do programa começar, os empregados se reuniram e decidiram que horas eles iam começar a trabalhar.

Mas o que isso tem a ver com reuniões diárias? Bem, todo o exemplo serviu para introduzir a mesma resposta que eu sempre dou para esse tipo de pergunta: se o seu time não aparece para as reuniões, você não deveria estar preocupado com o atraso deles, mas sim perguntar-se por que eles não se importam. Esse é o seu problema.

Ps: Esse post é uma tradução de um post originalmente publicado no meu blog: Focus On The Right Point

Sobre o autor:

Frank Trindade

Francisco Trindade

Francisco Trindade é desenvolvedor e consultor da ThoughtWorks UK. Engenheiro de Computação e mestre em Engenharia de Software pela UFRGS, Francisco possui diversos anos de experiencia em desenvolvimento de software, alem de ser um entusiasta e praticante de metodologias ágeis.


PMBok x Agile: análises e manuais Outubro 4, 2008

Posted by Bruno Pedroso in Business, Pensamentos.
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Aqui estou com o “CMMI – Guidelines for process Integration and Product Improvement” na minha frente, tendo acabado de ler o excelente post do Willi sobre PMBok e Agile. (Me lembro agora como fiquei impressionado com a estruturação desse livro. Cada referência é feita com uma precisão cirúrgica. Cada coisa tem um código, cuidadosamente atribuído e utilizado para remeter aos tópicos citados. )

A discussão sobre se “é possível aplicar PMBok/RUP/CMMI/MPS.Br com Agile” não faz mesmo muito sentido, no fim das contas. Todas essas siglas do time das metodologias tradicionais, não passam de diferentes visões a respeito do processo de desenvolvimento. Tratam-se de modos diferentes de se entender um “mundo” específico: o de projetos de desenvolvimento de software (Eu sei, não se aplicam apenas ao desenvolvimento de software, mas isso não é importante agora).

Modo de entender também específico, diga-se de passagem. São visões essencialmente analíticas, que procuram clarear as coisas “destrinchando” ou “separando” seus elementos, numa estratégia “dividir e conquistar”. O oposto seria o entendimento sintético, onde se parte de vários elementos e compõe-se um todo, como fazemos ao concluir um texto: juntamos tudo o que foi dito para se reconstruir a idéia geral novamente.

Sob esse ponto de vista, conjuntos de conhecimento como PMBok e CMMI seriam muito bem apresentados em um MapaMental.

(conteúdo tirado da wikipedia)

Cá pra nós, trata-se de uma bela análise de todos os elementos necessários à grande maioria dos projetos de software. Alguns vão descordar com o meu “necessário”. Muitas dessas coisas podem não ser realmente necessárias… Será? Peguemos alguns elementos como exemplo.

  • Controle de mudanças do escopo

“Ora, em meu projeto ágil eu não preciso fazer controle das mudanças do escopo.”

Como não? E o que é que estamos fazendo quando não permitimos, de jeito nenhum, mudanças no backlog ao longo de um sprint? Só permitimos que novas tarefas entrem no planejamento a partir de uma reunião com toda equipe. Pra que? Pra que se possa controlar as mudanças no escopo, oras. Se a equipe não tiver controle sobre as mudanças no planejamento, não poderá lidar com elas.

  • Gerênca de riscos

“Não tenho um plano de riscos em meu projeto ágil.”

Pode ser. Mas dizer que não há gerência de riscos já é demais. Os riscos são gerenciados o tempo todo. Pelo product owner ao escolher histórias durante o planejamento; pela equipe ao estimar; pelo coach ao cultivar a disciplina em se escrever testes automáticos. Todos avaliam os riscos de cada passo ao longo do projeto.

Dê uma olhada na estrutura de tópicos desses livros. São análises extremamente detalhadas, completas e estruturadas. Trata-se de um trabalho de mestre. Identificar, estruturar e descrever cada um desses elementos foi sem dúvida um trabalho notável e de grande valor para nossa indústria. Obrigado.

O problema não está exatamente na análise que essas abordagens fazem. As análises são espetaculares. O problema é que, no dia a dia de um projeto, essas análises são inúteis.

É como comprar um manual de direção de automóveis que faz uma análise detalhada de todas as técnicas para se apertar a embreagem, o momento ideal para se passar as marchas, etc. Por mais detalhado e acertado que esteja o manual, não ajuda nada levá-lo no colo na hora de dirigir. Nem adianta estudar cada detalhe e tentar lidar com tudo de uma vez.


No momento de dirigir, o que importa não são os detalhes, mas o todo. Tentar visualizar, compreender e controlar cada um dos elementos envolvidos é ao mesmo tempo inútil e desgastante. É coisa demais.

Isso nos leva diretamente ao argumento do Willi. Ninguém disse que se precisa aplicar tudo o que está nos livros. Pelo contrário, os capítulos iniciais de todos eles afirmam categoricamente que tudo deve ser adaptado, escolhido, filtrado. O problema é que nenhum deles explica como as coisas devem ser escolhidas, nem tampouco adaptadas. As práticas precisam ser modificadas para o seu projeto especificamente. Mas como? Problema seu.

Dessa forma, a leitura subliminar que se faz é que os projetos devem ser gerenciados sob todos os aspectos. Quanto mais detalhes se consegue visualizar e documentar, mais maduro seu processo é. Sobre isso cria-se uma escala de mérito totalmente deturpada, baseada em inspeções, avaliações, provas, exames e outras atrocidades. Elementos artificiais, que contribuem apenas para enviesar ainda mais o processo de melhoria, cuja preocupação maior passa a ser o certificado que se ganha no final. (Não me parece muito um sinal de maturidade… :-/ )

XP e Scrum, ao contrário, não fazem leituras analíticas. Lidam com questões práticas que se sustentam através de uma cadeia de valores explícita e coerente, reflexo das necessidades reais de projetos reais. Você adora cálculos geométricos complicados e instrumentos de precisão. Ótimo, mas para levantar a parede reta seu pedreiro precisa é do fio de prumo.


Pra ser honesto, no livro mais importante sobre XP (na minha opnião), KentBeck faz também uma leitura analítica: XP divide-se em valores, princípios e práticas. Mas veja que nesse caso não se trata de uma análise do processo de desenvolvimento em si. A análise feita refere-se ao modelo de pensamento utilizado para sustentar as práticas.

Essa sim é uma análise relevante. Ela privilegia não uma visão específica de como se deve fazer software, mas uma estrutura de decisão que nos auxilia a definir como as coisas devem ser adaptadas em cada caso. Diferentemente dos livros citados acima, aqui a forma como as coisas devem ser adaptadas é clara e coerente.

O próprio Kent Beck ressalta que os princípios apresentados em seu livro não são os únicos possíveis. Organizações particulares podem cultivar outros valores, outros princípios. E elas devem fazê-lo! O que se coloca é que se deve utilizar uma cadeia de raciocínio análoga para se definir como deve ser o dia a dia dos projetos. Entenda seus valores, expresse seus princípios e deles derive as práticas a serem seguidas.

“Para dirigir, use as duas mãos ao volante.” Isso expressa o princípio da direção defensiva, que se sustenta sob o valor Segurança. Agora, se prefere cultivar o valor do Conforto, então deixe o braço esquerdo escorado na janela, é muito melhor. Qual dos dois valores é mais importante agora? Eis um framework para tomada de decisões realmente útil.

Então, sintetizando :-) , o problema de PMBok/RUP/CMMI/MPS.Br não está exatamente na análise que é feita, mas na leitura (propositalmente?) induzida de que se tratam de manuais de direção. Não são. São instrumentos teóricos maravilhosos. Mas se vc está interessado em dirigir bem, deixe-os em casa e veja as coisas da forma ágil.

(Artigo publicado originalmente no eXPressoCapital)

Sobre o Autor:

Bruno Pedroso

Bruno Pedroso

 

Bruno Pedroso é Bacharel em Ciência da Computação pela UnB, onde atualmente desenvolve seu projeto de mestrado em engenharia de software. Desenvolvedor com mais de 10 anos de experiência, atua hoje como coach de projetos e coordenador da área técnica da SEA tecnologia, dando grande enfoque à aplicação de valores e princípios XP.