Entrevista com Fábio Rilston sobre a adoção de agile no SERPRO

Durante o evento Maré de Agilidade em Salvador (Bahia) em março de 2009, tive a oportunidade de entrevistar Fábio Rilston (Consultor de Qualidade), sobre como que a empresa pública SERPRO adotou metodologias ágeis através de algumas combinações de Scrum, XP e OpenUP para melhorar o processo de desenvolvimento de alguns produtos usados na esfera governamental.

Projeto Ágil, de Nível Nacional e no Governo! O Case Encceja.

É verdade! E não é que os tempos estão mudando mesmo? No último dia 06 de outubro, entrou no ar o Encceja: Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos. Ou, da forma mais fácil como nos descreveram, tipo um supletivão do governo.

Nossa história com o projeto começou quando eu e o Bruno fomos chamados pelo Fábio Petrillo, Coordenador Geral de Sistemas de Informação do INEP para ajudarmos o pessoal a trabalhar com Metodologias Ágeis. Não houve esforço nenhum para o Petrillo comprar a idéia, pois ele já acreditava em Agile e já tinha trabalhado com isso antes. Já leu os livros que eu li, os que você já leu e mais um monte que a gente nem ouviu falar ainda. É um cara que sabe das coisas.

O desafio pra gente era com a equipe, pois não seria legal chegar com “pose” de consultor pedindo pra eles fazerem as coisas de uma forma completamente diferente e depois ir embora deixando eles com o pepino na mão. Eles tinham que ver muito rápido benefícios nas práticas adotadas, e ver que estávamos do lado deles, senão a consultoria e o projeto iam afundar. Não sabíamos por qual prática começar, nem como abordar o pessoal.

Restavam 11 semanas de projeto e o prazo não era negociável por força de lei. A equipe começou com Danielzim, Cláudio Alberto e Sandro. Depois entraram Robert (JBoi Seam), Vitor e Kelly.
O desafio inicial era enorme. O projeto já tinha um módulo administrativo funcionando, com algumas fraquezas, e tínhamos que migrar o banco, desenvolver a inscrição web e refazer o módulo administrativo. Ao longo do projeto, a idéia da migração do banco e do redesenvolvimento do módulo administrativo foram abandonados. Ainda bem! A inscrição web já tinha por si suficientes desafios. Tinha que resolver diversos problemas legados de outras inscrições.

Cláudio Alberto pilotando o sistema apresentado pela equipe, para dar feedback ao cliente. Atrás: Bruno, Vitor, Petrillo, Robert e Daniel

Começamos levantando tudo em estórias e planejando iterativamente. A equipe tem muito mérito pois absorveu as práticas de forma surpreendentemente rápida. Também são muito habilidosos e desenvolveram as coisas bem rápido. No começo eu e o Bruno achamos as estimativas otimistas demais, que acabariam se frustrando, mas eles conseguiam cumpri-las muito bem. Havia receios por parte deles em relação à não utilização de casos de uso com toda descrição do sistema. Acredito que há até hoje! :o)

O Kanban começou numa porta de armário. Falta de espaço não pode servir de desculpa pra não começarmos a utilizá-lo. Depois foi pra um quadro chique, com product burndown e tudo mais.

Ao longo do projeto, o Cláudio foi fazendo a interface com o cliente a cada versão gerada e também levantava casos de teste, pois o cliente tinha restrições em estar presente. O feedback gerou diversas alterações que melhoraram bastante o sistema e também permitiram que escopo fosse cortado dessa release. Foi bom pra todos. O pessoal desenvolveu testes automatizados e também se ajudou em pares. Inclusive, pra eles isso foi um ponto forte destacado: a integração da equipe de desenvolvimento.

Par que nada, esta foi uma triple do pessoal, pra resolver problemas na automação de testes.

Uma das últimas stand-up meetings do projeto, falando dos testes e ajustes finais.

Após o sistema entrar em produção, a equipe já estava gerando versões com naturalidade e confiança pra ir corrigindo detalhes e disponibilizando versões a cada dia – graças às builds semanais. Na última visita que fizemos a eles, dia 8, já havia cerca de 20 mil inscritos (Rodando no JBoss – cha chim!!$$$), e consideramos o projeto um grande case de sucesso com agile.

Claro que ainda há muito o que aprender, aliás, essa é a moral da história: sempre há! Agora o desafio é espalhar a cultura no resto do departamento. Já sabemos que outro projeto vai começar a adotar metodologias ágeis, o Enem. Em breve, de um jeito ou de outro, todos acompanharemos os resultados – acredito que seja com muita alegria, como no case do Encceja.

Abraço a todos, parabéns ao INEP pela coragem e parabéns à equipe pelo ótimo trabalho!!!
Willi