Há muito tempo atrás, o Manifesto Ágil introduziu uma importante inversão de valores ao propor que Indivíduos e Interações são mais importantes que Processos e Ferramentas. Com isso, muita gente (inclusive eu) teve a tendência de pensar que as pessoas são a única coisa importante nessa balança e, que ambientes orgânicos, empíricos e “caóticos” são a solução para todos os males da humanidade.
Paradoxalmente, mesmo pensando dessa forma, nós, da comunidade ágil em geral, não paramos de discutir/criar detalhes processuais das adoções ágeis. Com base nesse ainda forte foco nos processos, somos levados a refletir um pouco mais sobre qual o verdadeiro peso na balança entre pessoas e processos.
Para ajudar a entender isso, vamos praticar a “empatia” e analisar a questão pela ótica dos processos, onde após alguns anos vivendo diferentes tipos de contextos, pude chegar a alguns pensamentos sobre o que seria um bom processo e como ele poderia propiciar uma relação saudável com as pessoas; eis os pensamentos:
- Um bom processo é criado e evoluído por meio das experiências dos próprios indivíduos que vivem o mesmo.
- Um bom processo permite/estimula a transparência entre as pessoas, com isso torna-se possível que haja confiança entre elas.
- Um bom processo permite a aproximação entre as pessoas, para que seja possível criar colaborativamente conhecimentos e soluções.
- Um bom processo permite a criatividade das pessoas.
- Um bom processo permite que as pessoas se organizem para criar algo de valor durante toda a sua cadeia.
- Um bom processo permite a inspeção e adaptação e com isso, as pessoas podem melhorar continuamente os seus próprios comportamentos.
- Um bom processo faz com que os resultados (bons ou ruins) sejam computados mutuamente entre todas as pessoas de um grupo, fazendo com que o mesmo, atue de fato como um Time.
- E por fim, um bom processo é aquele que existe para servir às pessoas, não o contrário.
Como podemos observar com os pensamentos acima, existe uma espécie de dependência orgânica entre as pessoas e os processos. Para reforçar esse pensamento, podemos lembrar do conceito de protocooperação ou mutualismo, que de acordo com a Wikipedia, “é uma relação benéfica para ambas as espécies”. Ainda segundo a Wikipedia, nessa relação, “os seres associados mantêm certa independência” ou seja, “apenas se beneficiam das associações mais ou menos duradouras que estabelecem”.
Com base em todos esses pensamentos, é possível concluir que na prática não existe uma só verdade e que talvez, não é que as pessoas são mais importantes que os processos, mais sim, como acontece uma relação orgânica entre esses dois elementos, o que na prática é mais importante, é gerar bons resultados sistêmicos (para o todo) por meio da protocooperação entre pessoas e processos.
Referências:
- pt.m.wikipedia.org/wiki/Protocooperação
- agilemanifesto.org/iso/ptbr/
Sobre o autor:
Manoel Pimentel Medeiros (www.ica-ti.com.br) – Coach com mais de 15 anos de experiência na área de TI, onde atuou com Coaching e Trainning para executivos e times em ambientes organizacionais de Consultorias, Bancos e Telecom. É Diretor Executivo do ICA-TI (Instituto de Coaching Aplicado a TI) e fundador da Revista Visão Ágil, já escreveu sobre Agile e Coaching para portais e revistas do Brasil e exterior. Também palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Possui as certificações PPC, CAC, CEC da SBC/BCI, Worth Ethic Corporation, CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil.