Desconforto

Esse post é mais ou menos uma continuação do último, juntando com algumas idéias que me vieram a cabeça ao participar de uma discussão sobre rastreabilidade em software em processos ágeis.

Recapitulando, o post passado sobre estimativas surgiu da dúvida que algumas pessoas colocaram sobre como estimar projetos de escopo fechado, e se técnicas como Pontos de Função ou Casos de Uso poderiam ser utilizadas para isso. Enquanto isso, a discussão sobre rastreabilidade ocorreu a partir da pergunta de como gerar matrizes de rastreabilidade partir de User Stories em métodos ágeis.

Antes que vcs se perguntem o que estimativas tem a ver com rastreabilidade, eu ja posso responder: nada, pelo menos nesse post.

Mas o ponto comum que eu achei interessante em ambas as discussões é a necessidade de que muitas pessoas (e equipes) têm de possuir ferramentas/técnicas que gerem resultados extremamente precisos, como estimativas de 1924.5 horas para um projeto, ou quais linhas de código serão afetadas se eu por acaso mudar essa linha aqui, no caso da rastreabilidade.

E eu acho que essa é a maior dificuldade que equipes adotando métodos ágeis encontram. Elas ainda querem ter as mesmas ferramentas fornecidas pelas metodologias tradicionais, que produzem resultados precisamente errados, levando a uma falsa sensação de conforto.

E isso remete ao fato de que muitas equipes tentam adotar processos ágeis através de técnicas, sem realmente entender os princípios que estão por trás disso.

Não se aceita que equipes ágeis não saibam exatamente quando o software será entregue, mas sim que em qualquer dia durante o projeto, tenham software funcionando e pronto para ser entregue, ou que só tenham uma idéia do impacto gerado por mudanças, mas ao mesmo tempo tenham testes que mostrem exatamente quais funcionalidades foram comprometidas após a mesmo.

E principalmente, não se aceita que existam dúvidas em qualquer aspecto de um projeto, quando na verdade desenvolvimento de software é quase tanto formado de dúvidas como é de certezas.

Então, quando vejo dúvidas desse tipo, acho que o melhor pensamento a se ter é relaxar um pouco e deixar as coisas fluírem, e depois se perguntar pq se quer saber todas essas informações, e se realmente elas agregam algum valor ao que sua equipe está tentando fazer.

[]’s

Francisco

Sobre o autor:

Frank Trindade

Francisco Trindade

Francisco Trindade é desenvolvedor e consultor da ThoughtWorks UK. Engenheiro de Computação e mestre em Engenharia de Software pela UFRGS, Francisco possui 5 anos de experiencia em desenvolvimento de software, alem de ser um entusiasta e praticante de metodologias ágeis.

One thought on “Desconforto

  1. Francisco,

    além de concordar vou citar que no caso da rastreabilidade a matriz com os requisitos de fato não é feita. Poderia mas num projeto ágil não faz muito sentido, afinal como você citou os testes vão cobrir os problemas gerados pela mudança e serão corrigidos naturalmente.

    No caso de código a ligação entre as histórias basta um sistema de tracking com um gerenciador de versão para fazer. Tarefas são feitas em cima de histórias e código é gerado por essas tarefas. Se a tarefa for cobrado nos comentários ou num campo para o sgv acabou o problema. Uma solução assim já deve bastar para boa parte dos projetos que vemos por aí …

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