Projeto Ágil, de Nível Nacional e no Governo! O Case Encceja.

É verdade! E não é que os tempos estão mudando mesmo? No último dia 06 de outubro, entrou no ar o Encceja: Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos. Ou, da forma mais fácil como nos descreveram, tipo um supletivão do governo.

Nossa história com o projeto começou quando eu e o Bruno fomos chamados pelo Fábio Petrillo, Coordenador Geral de Sistemas de Informação do INEP para ajudarmos o pessoal a trabalhar com Metodologias Ágeis. Não houve esforço nenhum para o Petrillo comprar a idéia, pois ele já acreditava em Agile e já tinha trabalhado com isso antes. Já leu os livros que eu li, os que você já leu e mais um monte que a gente nem ouviu falar ainda. É um cara que sabe das coisas.

O desafio pra gente era com a equipe, pois não seria legal chegar com “pose” de consultor pedindo pra eles fazerem as coisas de uma forma completamente diferente e depois ir embora deixando eles com o pepino na mão. Eles tinham que ver muito rápido benefícios nas práticas adotadas, e ver que estávamos do lado deles, senão a consultoria e o projeto iam afundar. Não sabíamos por qual prática começar, nem como abordar o pessoal.

Restavam 11 semanas de projeto e o prazo não era negociável por força de lei. A equipe começou com Danielzim, Cláudio Alberto e Sandro. Depois entraram Robert (JBoi Seam), Vitor e Kelly.
O desafio inicial era enorme. O projeto já tinha um módulo administrativo funcionando, com algumas fraquezas, e tínhamos que migrar o banco, desenvolver a inscrição web e refazer o módulo administrativo. Ao longo do projeto, a idéia da migração do banco e do redesenvolvimento do módulo administrativo foram abandonados. Ainda bem! A inscrição web já tinha por si suficientes desafios. Tinha que resolver diversos problemas legados de outras inscrições.

Cláudio Alberto pilotando o sistema apresentado pela equipe, para dar feedback ao cliente. Atrás: Bruno, Vitor, Petrillo, Robert e Daniel

Começamos levantando tudo em estórias e planejando iterativamente. A equipe tem muito mérito pois absorveu as práticas de forma surpreendentemente rápida. Também são muito habilidosos e desenvolveram as coisas bem rápido. No começo eu e o Bruno achamos as estimativas otimistas demais, que acabariam se frustrando, mas eles conseguiam cumpri-las muito bem. Havia receios por parte deles em relação à não utilização de casos de uso com toda descrição do sistema. Acredito que há até hoje! :o)

O Kanban começou numa porta de armário. Falta de espaço não pode servir de desculpa pra não começarmos a utilizá-lo. Depois foi pra um quadro chique, com product burndown e tudo mais.

Ao longo do projeto, o Cláudio foi fazendo a interface com o cliente a cada versão gerada e também levantava casos de teste, pois o cliente tinha restrições em estar presente. O feedback gerou diversas alterações que melhoraram bastante o sistema e também permitiram que escopo fosse cortado dessa release. Foi bom pra todos. O pessoal desenvolveu testes automatizados e também se ajudou em pares. Inclusive, pra eles isso foi um ponto forte destacado: a integração da equipe de desenvolvimento.

Par que nada, esta foi uma triple do pessoal, pra resolver problemas na automação de testes.

Uma das últimas stand-up meetings do projeto, falando dos testes e ajustes finais.

Após o sistema entrar em produção, a equipe já estava gerando versões com naturalidade e confiança pra ir corrigindo detalhes e disponibilizando versões a cada dia – graças às builds semanais. Na última visita que fizemos a eles, dia 8, já havia cerca de 20 mil inscritos (Rodando no JBoss – cha chim!!$$$), e consideramos o projeto um grande case de sucesso com agile.

Claro que ainda há muito o que aprender, aliás, essa é a moral da história: sempre há! Agora o desafio é espalhar a cultura no resto do departamento. Já sabemos que outro projeto vai começar a adotar metodologias ágeis, o Enem. Em breve, de um jeito ou de outro, todos acompanharemos os resultados – acredito que seja com muita alegria, como no case do Encceja.

Abraço a todos, parabéns ao INEP pela coragem e parabéns à equipe pelo ótimo trabalho!!!
Willi

10 thoughts on “Projeto Ágil, de Nível Nacional e no Governo! O Case Encceja.

  1. Foi uma experiência interessante pra gente também a de tentar orientar uma equipe com relativamente muito pouco contato.

    Achamos que contribuímos com as melhorias que foram incorporadas, apesar do pouco contato. Mas também entendemos que – como sempre – ainda há muita coisa pra melhorar.

    Trata-se de um belo primeiro passo. Como o Willi falou, uma iniciativa corajosa e recompensante – pra eles e pra nós.

    Parabéns à moçada do INEP !!!

  2. Trabalho com RUP e tenho muito interesse em conhecer mais sobre metodologias ágeis. Infelizmente não pude ir ao evento planejado pela Sea em Brasília, mas tenho algumas questões:

    1- As histórias são atualizadas quando os requisitos mudam?
    2- Quais os diagramas são utilizados e em que momento?

    Tenho lido sobre metodologia ágeis, mas fico em dúvida sobre a aplicação de algumas técnicas e a ausência de outras (que estou acostumada a usar). O processo ainda fica meio no ar.

  3. Oi @Lúbia , se quiser, podemos fazer uma apresentação pra sua empresa, ou pode visitar a SEA pra ver como lidamos com as coisas…

    1 – As histórias não são documentação. Se houver necessidade, documentamos os casos de uso quando as funcionalidades estabilizarem, minimizando o retrabalho. Normalmente vira manual. Quando há uma mudança de requisitos, simplesmente a anotamos em outro cartão e planejamos quando será atendida.

    2 – Os que forem necessários, quando for necessário. Não é pré-determinado, mas sabemos que temos que entregar documentação ao final do projeto. Normalmente modelamos no papel mesmo e pregamos tudo na parede, bem à vista de todos. Temos uma regrinha simples: Se o papel já estiver desgrudando da parede pelo tempo que está lá sem mudar, já é hora de investir um tempinho pra digitalizar numa ferramenta.

    Essas dúvidas são normais, o importante é que você está correndo atrás de saná-las, ao invés de fechar as portas para novos aprendizados.

    E isso é coragem da sua parte. Parabéns.
    Willi

  4. Oi Renato !
    Tenho gerenciado projetos com os métodos clássicos na área de varejo e ainda estou engatinhando no Agile.
    Parabéns pelo Post !

  5. Renato,

    As metodologias ágeis é somente para projetos de desenvolvimento de sistema ou tem outras aplicações.

    Grato,

    Daniel

  6. Oi Daniel,

    O Scrum é uma metodologia ágil de gestão de projetos, e teoricamente pode ser usado em qualquer tipo de projeto.

    Porém, há projetos de natureza mais adequada e projetos de natureza menos adequada para se usar isso.

    Para desenvolvimento de software, caem como uma luva!🙂
    []s Willi

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