Desenvolvendo bons produtos através do Poka-Yoke

Dentro da TPS (Toyota Production System), Poka-Yoke é um dispositivo físico de controle que é acionado automaticamente quando há algum erro ou defeito no processo de produção, sendo que esse acionamento é feito normalmente por duas motivações: 
  • Para controle, pois quando o mesmo é ativado, a linha de produção é interrompida automaticamente  para que o problema detectado possa ser resolvido.
     
  • Para advertência, apenas usando algum tipo de alarme visual para sinalizar às pessoas envolvidas, que algo precisa ser revisado para evitar um problema maior.
Veja que essa forma de controle de qualidade com base em inspeção, é um dos pilares do modelo produtivo baseado no Pensamento Lean e no ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Action), por isso, como as metodologias ágeis fornecem um bom começo para a construção desse estado de pensamento Lean e para obtenção do ciclo PDCA nos projetos de desenvolvimento de software, é importante que possamos identificar quais práticas ágeis,  podemos usar como formas de Poka-Yoke.
Portanto, vou elencar abaixo,  algumas práticas e idéias que julgo serem alinhadas a esse conceito de Poka-Yoke, porém, acredito que essa conjectura é viva e, cada um pode observar a implementação mais válida para seu contexto.
  1. TDD (Test-Driven Development)  – Talvez essa seja a prática de maior aplicação como Poka-Yoke pela comunidade ágil mundial,  pois na essência, com TDD podemos capturar quando ocorre um erro no código, parar o desenvolvimento, corrigir o erro e atualizar o teste unitário para que o mesmo possa prevenir futuras ocorrências daquele referido erro.
     
  2. Inspeção de Código  – Outra forma que também julgo ser uma importante implementação de Poka-Yoke, é a inspeção de código feita entre os membros da equipe, que apesar de ser baseada em atitudes, é uma interessante maneira de verificar,  antes de promover uma funcionalidade ao Build que será entregue, se o código produzido, está dentro dos padrões escolhidos para o projeto, se está seguindo boas práticas, se  está feito da maneira mais simples possível, ou se está em acordo com o teste desenhado previamente para aquela funcionalidade.
     
  3. Gestão de Impedimentos através de KanBan –   Talvez não seja um mecanismo com a finalidade de parar um Lead Time de um projeto, porém, a atitude de manifestar algum impedimento visualmente através do quadro informativo, têm um impacto psicológico muito forte na equipe, fazendo com que o mesmo sirva como uma forma de alerta de que algo precisa ser resolvido dentro do projeto, antes que se torne um problema mais grave.
     
  4. Feedback Contínuo –  Para concluir essa breve lista, acredito que através das cerimônias como Sprint Review ou a Sprint Retrospective, podemos ter fotografias muito nítidas de como está a qualidade do produto que está sendo desenvolvido e de quão eficiente e eficaz está o nosso processo de desenvolvimento, portanto, conforme o resultado dessa fotografia, podemos criar um Kaizen, que é outro conceito Toyota, que trabalha com a aplicação de pontos de melhoria contínua no produto ou no processo.  Inclusive, através desse feedback contínuo, podemos exercitar também o Hansei, outra idéia muito importante da  filosofia Japonesa (Aka Toyota), que consiste em fazer uma profunda auto-reflexão para identificar quais foram as falhas e os pontos de melhorias num processo ou num produto.
Termino esse texto lembrando que o mesmo não é um manual passo-a-passo da aplicação de um Poka-Yoke em seu processo, mas sim, uma pequena semente para provocar a reflexão de como você pode usar conceitos do Pensamento Lean, para melhorar sua forma de trabalho dentro do desenvolvimento de software e ter significativos ganhos de qualidade no produto desenvolvido. Portanto, muito obrigado e até a próxima.

Sobre o autor:

Manoel Pimentel, CSP

Manoel Pimentel, CSP

 

É Engenheiro de Software, com mais de 15 anos na área de TI, atualmente trabalha com  como Coach em metodologias para importantes empresas do segmento de serviços, indústrias e bancário.  É Diretor Editorial da Revista Visão Ágil, Possui as certificações CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil.
Contatos: manoel@visaoagil.com

3 thoughts on “Desenvolvendo bons produtos através do Poka-Yoke

  1. Manoel,
    Parabéns pelo artigo. Mais ainda porque sei que aplica os conceitos na prática em seu dia-a-dia.
    Eu só acrescentaria na sua lista algo que em minha opinião em conjunto com o TDD é o supra sumo em termos de Poka-Yoke para desenvolvimento de software que é a Integração Contínua. Mecanismos de build integrados que usem os testes criados pelo processo de TDD, com notificações às partes envolvidas e relatórios diversos são de extrema importância nesse contexto. =)

    Mais uma vez parabéns e um grande abraço,

  2. Manoel,
    Trabalho a mais de 20 anos com desenvolvimento de software. Realmente todos os detalhes de escreveu está de acordo com as necessidades do dia-a-dia, principalmente pela dinâmica de um projeto de software. Ultimamente, novidades e alterações de escopo e de restrições são enormes e requer todo cuidado no gerenciamento dos recursos para o sucesso.

    Gostei do ponto que cita quanto ao impacto psicológico. Este é um dos pontos que normalmente faz diferença para mudar de rumo.

    Um Grande abraço,

  3. Parabéns, Manoel.

    No ponto que fala de Kaizen como melhoria contínua vejo no desenvolvimento de software, mai especificamente quando criamos produtos, ao invés de projetos, que isto é fundamental para não deixar o código “apodrecer”, ou seja, após anos de utilização se tornar um legado impossível de se manter e evoluir. Sempre acontecerá de após pouco tempo de estar pronto o produto a tecnologia utilizada começará a se tornar obsoleta, principalmente se for software para WEB, onde as novas versões de browsers deixam de suportar padrões antigos de HTML, CSS ou JavaScript. Se procurarmos em cada novo release fazer refactory no código para torná-lo “atualizado” com novos padrões, com certeza estaremos evitando “alimentar o monstro”.

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