O que matou o RUP pode matar o Agile

Desde algumas polêmicas que ocorreram no Scrum Gathering neste ano, tenho discutido em diversos fóruns de discussões e eventos sobre o que tem ocorrido com a nossa comunidade de desenvolvimento ágil. Eu temo pelo o que pode ocorrer com o Agile aqui no Brasil. O que matou o RUP pode também matar o Agile.

Quando eu estava no começo da minha carreira, no início dos anos 90, por incrível que possa parecer os métodos eram ágeis. O cliente e os reais usuários eram muito próximos e participavam ativamente do projeto. O ciclo, apesar de não ter formalidades iterativas, era focado em entregas frequentes. Apesar das arquiteturas fracas, a qualidade era boa e a satisfação dos usuários era maior. Trabalhei com Clipper, Visual Basic 3-6, Mumps e outras coisas da época – além de administrar redes Novell 3.12 e Lantastic. Os projetos eram divertidos, focados em resultados e na maioria das vezes o financiador ficava no seu pé. Eu me lembro do Tonhão, o gerente financeiro da Rede America Burger & Pasta, meu primeiro (e único) emprego como programador CLT. O Tonhão todas as sextas batia na minha mesa no CPD e perguntava: “-E aí Japa, tá pronto?”. Todas as sextas, religiosamente às 15:00 o Tonhão cobrava sobre aquele sistema de controle de caixa das lojas que acabou com os disquetes e com muita burocracia, pois usava comunicação via modem.

Nos meados de 1996 recebí uma ligação de um amigo meu do colégio técnico dizendo que as consultorias estavam pagando R$ 22,00 a hora para projetos do Bug do Milênio em COBOL. Bem, para a época esse valor era bastante significativo, topei na hora e lá fui eu ter a experiência de uma empresa grande. Se existe uma coisa que você pode responsabilizar sobre a bagunça que existe no mercado de TI hoje essa coisa é O BUG DO MILÊNIO. Eu estranhei muito trabalhar em consultorias nessa época. Os projetos chegavam e nem tinha uma única reunião com o cliente. Na maioria das vezes tinha um gerente-proxy entre a equipe e os clientes. Os projetos Y2K eram ainda mais peculiares. Teve projetos que o trabalho era passar uma ferramenta de detecção de problemas Y2K, ir até o código indicado pela ferramenta e fazer as alterações, mas sem recompilar e sem qualquer teste. Eu me sentia um digitador. Levei até uma bronca de um coordenador por tentar compilar o projeto para ver se nossas alterações ao menos geravam os binários. Meu coordenador gritou que aquilo não era escopo do projeto. Nesse momento eu ví que qualidade não era uma preocupação central das consultorias.

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