Coaching – A arte de fazer balões subirem

Segundo algumas ideais filosóficas de Aristóteles, o homem é por natureza um ser teleológico, ou seja, é um ser orientado a metas, objetivos,  propósitos e afins.  Além dessa visão filosófica, os fatos reais de nosso cotidiano, evidenciam mais especificamente que as metas funcionam como o cerne para a evolução de um indivíduo ou de uma organização como um todo.

Existem algumas boas dicas para a definição de melhores metas para times ou indivíduos, uma delas é o conceito SMART (Specific, Measurable, Achievable, Realistic e Timeboxed), que nos ajuda a criar metas mais específicas, mensuráveis, alcançáveis, realistas e com tempo definido para acontecer.

Trilhar o caminho rumo a uma meta nem sempre é fácil, na verdade são diversos obstáculos que tipicamente atuam como forças contrárias ao alcance de uma meta.  Alguns desses obstáculos são reais, já outros, são frutos de nossas crenças limitantes.  Muitas das crenças cultivadas funcionam como pensamentos que limitam as nossas ações, isso gera uma inércia ainda maior no desafio de caminhar rumo a uma meta.

Também existem as forças favoráveis para caminhar rumo a uma meta. Essas forças favoráveis são oriundas de algum estímulo, algum motivo de prazer, algum motivo de dor ou simplesmente habilidades que nos permitem trilhar com mais afinco rumo a uma meta.

Vivemos numa complexa relação de forças favoráveis e forças contrárias para o alcance de uma meta, para melhor entender isso, vamos recorrer a uma breve analogia extraída da física:

Imagine que para fazer balão subir, é necessário equilibrar duas forças diferentes, o volume de ar quente, contra o volume de ar frio do ambiente ao redor do balão. O volume de ar quente é necessário para que o ar de dentro do balão seja mais leve que o ar externo ao balão.

Nessa analogia, o ar quente, funciona como força favorável e, o ar frio do ambiente atua como força contrária. Claro que existem também outras variáveis mais detalhadas como por exemplo: O peso do balão, gravidade, etc. Porém, todas essas variáveis de uma forma ou de outra, atuam como forças favoráveis ou como forças contrárias para a meta, que é subir o balão até determinada altura.

Quando um processo de Coaching está sendo desenvolvido, existem algumas ferramentas que podem facilitar a identificação e a redução das forças contrárias e também para entender e maximizar as  forças favoráveis.

Uma dessas ferramentas é o FFA (Force Field Analysis), que proverá um meio de analisar o campo de forças (contrárias e favoráveis) rumo a uma meta. Essa é uma ferramenta relativamente simples de usar, pois podemos usar basicamente uma marcação em folha de papel, ou num flip-chart, ou num  quadro branco, de modo a identificar as forças contrárias numa área, as forças favoráveis em outra e as ações que servirão para minimizar as contrárias e para maximizar as favoráveis.

Particularmente, gosto de usar uma maneira um pouco diferente das encontradas nas referências sobre FFA, onde represento graficamente a analogia com o balão que mencionei nos parágrafos anteriores. Nessa representação, na parte interior do balão, estão as forças favoráveis, na parte externa ficam as forças contrárias e, na parte inferior do balão, residem as ações possíveis para maximizar as forças favoráveis ou minimizar as forças contrárias.

Claro que somente a representação gráfica resultante do FFA, não é suficiente para alcançar uma meta, na verdade o FFA apenas serve como um mapa, mas somente quando um indivíduo assume a consciência e a responsabilidade por suas metas e pelos seus caminhos, encontrará a efetividade necessária para caminhar rumo às mesmas.

Para finalizar, entenda que num processo de Coaching, o papel de um Coach, não é criar as forças favoráveis e nem diminuir as forças contrárias, mas sim, um bom Coach ajudará o seu Coachee (cliente), a descobrir as ferramentas necessárias para o que mesmo faça a quantidade ideal de fogo para fazer o seu próprio balão subir.

Referências

– Artigo: Tenha nojo dos impedimentos – http://www.infoq.com/br/articles/tenha-nojo-impedimentos

– Wikipédia: Force Field Analysis  – http://en.wikipedia.org/wiki/Force_field_analysis

– WHITMORE, John  – Coaching for Performance – 4th Edition

Sobre o autor:

Manoel Pimentel Medeiros, É Engenheiro de Software, com 15 anos na área de TI, atualmente trabalha como Coach (PPC) em Agile e Lean para empresas do segmento de serviço, financeiro e bancário. É Diretor Editorial da Revista Visão Ágil e já escreveu sobre agile para portais e revistas do Brasil e exterior.  Palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade.  Também possui as certificações CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasi

2 thoughts on “Coaching – A arte de fazer balões subirem

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s