Save the Team Leader, Save the World!

Calma, Calma, Calma, eu não surtei (pelo menos ainda)! O título desse breve texto maluco, é uma brincadeira com o seriado Heroes (“Save the cheerleader, save the world”), pois tenho visto que cada vez mais as pessoas possuem dificuldades enormes no exercício da liderança dentro das empresas.

Claro que essa “dificuldade em liderar” não é tão raro de notar, afinal temos um senso comum do que seria um “bom líder” (certo?), por isso, cada vez mais podemos observar que esse bom líder está se tornando algo raro, ou seja, quase que em extinção.

Esse risco de extinção é tão perigoso para o mundo, que já até pensei em criar uma ONG.  Talvez essa ONG poderia ser chamada de IPLRLInstituto para Preservação do Líder que Realmente Lidera🙂. Tenho certeza que essa ONG seria um sucesso total, pois teríamos membros de várias partes do mundo, dispostos a ajudar nessa causa tão nobre.🙂

Brincadeiras a parte, nos últimos anos, criou-se uma febre das pessoas desejarem serem líderes iguais àqueles que aparecem nos livros.  Esses modelos que a indústria vende, muitas vezes mostram a figura do líder-bonzinho-candidato-a-beatificação-que-todo-mundo-adora. Com isso, apesar da boa vontade dessa indústria,  essa visão do “politicamente correto”,  têm feito um singelo desserviço a quem busca trilhar o caminho da liderança.

A questão que estou chamando atenção aqui, é que a figura do líder-bonzinho-candidato-a-beatificação-que-todo-mundo-adora, acaba criando um sentimento nas pessoas de: “putz, não consigo ser um bom líder assim”.  Logo, apenas pouquíssimas pessoas conseguem afirmar realmente  que são bons líderes.

Tenho observado esse fato em meu trabalho como Coach, onde vejo que é comum nas pessoas que buscam melhorar sua forma de liderança, possuírem  a crença limitante de que não são bons líderes, pelo fato de não se comportarem de acordo com o modelo do líder-bonzinho-candidato-a-beatificação-que-todo-mundo-adora. Nesse tipo de caso, para romper esse pensamento limitante,  o ponto central a ser questionado é: Será que somente é possível um líder ser excepcional,  se o mesmo seguir o estereótipo oferecido pela indústria?

Como já mencionei em outros artigos  confesso que fico muito receoso ao escrever sobre o tema liderança,  pois não gosto de que as pessoas interpretem coisas  como: “Seja um líder de tal tipo”, ou então:  “Você queimará no mármore do inferno se não for um líder de tal jeito.” Isso acontece pois não acredito que haja somente um caminho válido ou, um estilo apropriado de liderança, mas sim cada indivíduo pode construir seu próprio caminho para uma boa liderança (seja lá o que isso signifique para o indivíduo e para o seu ambiente).

E esse é o ponto chave desse texto, onde a constatação principal é que muitas pessoas tentam se apegar tanto a modelos de liderança pré-estabelecidos (e olha que são vários deles), que chegam a fracassar no exercício da liderança.  O principal motivo disso, é que as pessoas estão tão preocupadas em seguir um modelo, que se esquecem de fazer uma coisa relativamente simples: Usar os mecanismos naturais de auto-regulação com o seu ambiente, afim de ser parte dele,  de entendê-lo e finalmente, de lidera-lo.

Para finalizar essa nossa “conversa de doido”,  gostaria de reforçar que esse texto foi apenas um breve devaneio a fim de gerar uma reflexão coletiva. Por isso,  que tal também participar  e compartilhar a sua opinião sobre qual o caminho que você (ou seu ambiente) está construindo para melhorar a forma de liderar?

Sobre o autor:

Manoel Pimentel Medeiros (http://twitter.com/manoelp) É Engenheiro de Software, com 15 anos na área de TI. Trabalha como Coach (PPC) em Agile para empresas do segmento de serviço, financeiro e bancário. É Diretor Editorial da Revista Visão Ágil. Já escreveu sobre Agile e Coaching para portais e revistas do Brasil e exterior e também palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Possui as certificações PPC da SBC, CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil.

8 thoughts on “Save the Team Leader, Save the World!

  1. Fala Manoel,

    Nas 2 últimas semanas eu li vários posts/artigos sobre líderes, liderança e outros assuntos relacionados com o tema. A maioria dos links foram postados no twitter por diversas pessoas. Lendo o seu post, fiquei com a seguinte impressão: será que não estamos vivendo uma síndrome do líder? Parace que agora todo mundo quer liderar, todos só se importam em ser líderes, em estar a frente, sempre, mas sem parecer “o chefe”. Fico me perguntando se a liderança não deveria ser alternada de vez em quando, sabe, deixando outras pessoas experimentarem essa coisa de “ser líder”…
    Não que eu esteja criticando os líderes e quem deseja se tornar um, mas está parecendo uma febre! E não podemos esquecer das outras posições, pois afinal o que importa é o conjunto da obra, o time.
    Bem, isso foi apenas um devaneio também, para continuar a sua conversa de doido🙂
    Abraço.

  2. Acho que esse perfil modelado pela indústria, apesar de tentar otimizar e disseminar as vantagens de ser um líder e de como comportar-se pra ser um, acaba balizando um estereótipo. Dessa forma as pessoas passam a ter problemas como você citou no post. Querem ser daquele jeito e se sentem frustradas ao verem que esse modelo raramente é real.
    Vejo no meu trabalho, existe uma líder exatamente assim, boazinha e santa… mas na verdade, não se faz líder para as horas de necessidade.
    Ser bonzinho nem sempre é o melhor caminho pra ser um líder eficaz.

    Abraço a todos e bom trabalho!

  3. Ótimo post. Na minha visão, o modelo “líder-bonzinho” é um desserviço ainda maior não somente quando o líder se frustra ao tentar seguí-lo, mas sim quando as pessoas buscam esse modelo nos seus líderes.
    As pessoas podem ficar frustradas ou desmotivadas por não verem no seu líder um exemplo de “líder-bonzinho” da literatura – o que não significa que o líder é ruim.
    Abraços.

  4. Obrigado por mais este post Manoel.

    No meu ambiente de trabalho, sintetiza-se uma espécie de pirâmide invertida de Maslow, onde os líderes são servidores do nível posteriormente maior. Com esse formato, pelo menos eu, me sinto motivado a fazer minha parte, da melhor maneira possível, para que toda equipe alcance os objetivos.

    Quando trabalhei sob o comando-controle, aprendi muitas maneiras de maquiar resultados pra despistar os líderes, hj, canalizo esses recursos para seguir o caminho que meus líderes vão abrindo para juntos chegarmos ao resultado.

    Então, hj o líder já não é aquela figura mitológica gigante e medonha que suga o sangue dos liderado, e sim um parceiro forte que faz com que os liderados doem esse sangue por ele.

    (Papo de louco mesmo hein rs)

    DADO

  5. Olá Manoel!

    Gostei dessa parte:
    “Usar os mecanismos naturais de auto-regulação com o seu ambiente, afim de ser parte dele, de entendê-lo e finalmente, de lidera-lo.”

    Acho que é bem isso mesmo. Quando o líder se coloca no lugar da equipe, faz parte realmente dela, ele passa a entender as necessidades da mesma e como contribuir de fato. Já presenciei casos onde um líder não pode estar presente em tal dia, e que outros que tinham uma certa experiencia já com o grupo e naquele ambiente, que tomaram frente, e se mostraram excelentes em conduzir seus companheiros, e que quando o líder retornou, muitos sugeriram que aquele pudesse ficar em seu lugar.

    Abraços e bom trabalho

  6. Ola Manoel,

    Otimo devaneio…
    Vc tem toda razao quando diz que:
    “as pessoas estão tão preocupadas em seguir um modelo”
    Um lider tem a funcao de “conduzir” , “guiar”… e deve fazer isso de uma forma humilde e priorizando os objetivos do grupo o qual esta liderando ao inves dos seus proprios de uma forma “nao-egoista” (nao consegui achar uma palavra pra “selfless”)

    Pra liderar, precisa-se, algumas vezes, passar despercebido e isso representa um conflito de interesse com alguns que se dizem lideres, mas na verdade so querem APARECER como tal.

    Tenho uma teoria onde comparo lideres com Guias Turisticos… Os guias turisticos nao estao visitando os lugares pq eles querem… muito pelo contrario, eles ja devem estar de saco cheio de ir na estatua da liberdade 12 vezes por dia, mas pra a pessoa que ele esta guiando aquela e a primeira vez… E ele tem que satisfazer aquele interesse de visitar o lugar pela primeira vez…

    Um grande abraco e parabens pelo post…

  7. Adorei esse devaneio…
    estou em processo de formação de líder e acho que não basta vc querer ser líder, o líder tem responsabilidades e deve saber lhe dar com elas.
    Confesso a vcs que nas minhas leituras sempre tentava imaginar a figura do ser bonzinho e procurava uma forma de me encaixar e lendo o que vc escreveu até senti uma sensação de alívio, pois acho que passar a mão na cabeça não resolve os conflitos, e infelizmente não se vai agradar a todos.

    Gostei muito do devaneio do Dado que disse:
    ‘Então, hj o líder já não é aquela figura mitológica gigante e medonha que suga o sangue dos liderado, e sim um parceiro forte que faz com que os liderados doem esse sangue por ele.”

    Parabéns pelo post.

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