Pratique AgileMMA e faça uma adoção pragmática e sistêmica de Agile

Quando um conceito é implementado de diferentes formas, torna-se natural que diferentes percepções sobre o mesmo sejam criadas pelas pessoas. Nesse aspecto, o paradigma ágil é imbatível, pois como trata-se de uma abordagem filosófica, muitas e diferentes percepções são geradas em torno do grande guarda-chuva conceitual que ele representa. Mas sem dúvida, essa pluralidade de percepções, faz do paradigma ágil, uma fascinante e complexa filosofia administrativa, econômica e até mesmo social dentro do universo do desenvolvimento de software.

Baseado nessa compreensão acerca de Agile, venho trabalhando há muito tempo em ajudar as pessoas a terem uma visão mais ampla sobre o paradigma Ágil. Esse trabalho tem sido pautado principalmente em propor uma abordagem não xiita sobre nenhuma das “sub-ideias” inerentes na agilidade.

Para disseminar essa pensamento, ao longo dos anos, escrevi diversos artigos, fiz diversas palestras e até mesmo lancei o “Manifesto for Meta-Agile”, que de maneira concisa, reúne algumas diretrizes básicas para ajudar as pessoas a meta-cognizarem sobre seus comportamentos, processos e ideias quando estiverem elaborando alguma solução ágil.

Contudo, talvez o conceito Meta-Agile seja complexo ou abstrato demais para muitas pessoas, por isso, para ajudar na materialização desse conceito, nos últimos meses tenho usado uma abordagem que chamei de AgileMMA – Agile Mixed Methodologies Adoption (estou usando o termo methodologies para resumir as ideias, processos, técnicas e frameworks existentes sobre a alcunha de Agile).

Apesar do nome de forte impacto, a AgileMMA não se trata apenas de uma forma de usar as metodologias ágeis de um jeito “misturado”, mas sim, uma implementação do Manifesto for Meta-Agile, que oferece uma visão sistêmica dos momentos e cenários apropriados para cada metodologia, de acordo com o contexto corporativo em questão.

AgileMMA também parte da idéia de que uma mente san, gera um processo san, por isso, a AgileMMA é fortemente baseada num processo de Coaching. Esse processo de Coaching ajuda os indivíduos a trabalharem de forma efetiva em uma espécie de octógono de pontos chaves dentro uma adoção de Agile, são eles:

* Propósito – Quais os motivadores para adotar Agile.

* Percepção de valor – Quais os valores que empresa acredita.

* Efeito sistêmico – Qual o efeito que será gerado em toda a organização.

* Ganhos – Quais os benefícios envolvidos.

* Perdas – O que a organização precisa “abrir mão” para poder adotar Agile.

* Competências – Quais as novas competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) as pessoas precisam desenvolver.

* Opções – Quais a opções de metodologias, frameworks, processos, técnicas (existentes ou não) a organização poderia usar para ter resultados ágeis.

* Propriedade – Qual (ou quais) opção (ões) com os quais a empresa irá construir o seu jeito ágil de ser e, como ela pretende trilhar o seu caminho rumo a Agilidade.

Como é claramente percebido, o nome AgileMMA trás uma analogia muito forte ao MMA (Mixed Martial Arts) que todos conhecem, pois no MMA um lutador que for proficiente apenas num estilo de luta (ex: boxe, karatê, jiu-jitsu etc), vai ter sérios problemas para fazer uma boa luta, quando o adversário o conduzir para um contexto diferente de sua proficiência (ex: trocação, chão, submissão etc).

Assim também é o praticante de AgileMMA, pois hoje, a dinâmica dos mercados, faz com que as empresas mudem seu contexto de trabalho numa velocidade muito rápida, então se o profissional for xiita ou só souber trabalhar num formato específico de Agile (ex: Scrum, XP, FDD, Kanban etc), terá grandes problemas de usar a ferramenta mais adequada para uma determinada situação. Além disso, o agilista também terá uma enorme dificuldade em gerar bons resultados, se ele ater-se apenas à metodologias já conhecidas, ou trabalhar apenas com o jeito by-the-book de cada uma delas. Nesse caso, o agilista precisa ter uma razoável capacidade de desprendimento de suas próprias ideias e conhecimentos, pois muitas vezes ele precisará criar soluções contra-intuitivas até mesmo pelo ponto de vista do paradigma ágil.

O praticante de AgileMMA é um exímio conhecedor de como que as opções ágeis se integram quando necessário e, também é um perito em criar modelos de transição de uma opção para outra.

O praticante de AgileMMA conhece em detalhes os jogos políticos e as principais complexidades organizacionais que possam facilitar ou dificultar uma determinada opção ágil. Sobre essa questão, compete ao praticante de AgileMMA, entender e descobrir novas formas de fazer o paradigma ágil conviver saudavelmente com essas questões organizacionais e também com os demais paradigmas existentes na empresa (ex: modelos de governança, modelos de maturidade, PMBok etc).

Logo, ser praticante de AgileMMA não significa que o profissional irá trabalhar com todas as metodologias ágeis ao mesmo tempo, mais sim terá a visão sistêmica suficientemente adequada para saber em que momento mudar sua estratégia de trabalho, de forma a assegurar um bom resultado para a organização inteira.

É importante observar que a abordagem AgileMMA não impede o praticante ter a sua preferência, ou a opção de metodologia em que ele mais sente proficiência ao trabalhar. Inclusive essa preferência pode servir como uma importante base de aprendizado e de experimentação das demais metodologias.

Hoje tenho visto algumas boas iniciativas em direção da AgileMMA, pois freqüentemente tenho contato com organizações que já experimentaram diferentes metodologias e com os resultados dessas experiências, acabam por criar um jeito todo próprio de fazer a sua agilidade. É importante destacar que cada experiência AgileMMA é única e por muitas vezes, aquele jeito de fazer Agile apenas faz sentido para aquela organização que criou o mesmo.

Por isso, ser um praticante de AgileMMA é um meio bem eficaz para elevar o estado Meta-Agile de qualquer organização, para isso, é muito importante que os profissionais interessados em praticar a AgileMMA comecem a treinar sua quebra de dogmas, abrir mão das posturas xiitas e principalmente, comecem a pensar recursivamente fora da caixa.

Portanto caro amigo agilista, Hajimê!!!




Sobre o autor:

Manoel Pimentel Medeiros (www.ica-ti.com.br) – Coach com mais de 15 anos de experiência na área de TI, onde atuou com Coaching e Trainning para executivos e times em ambientes organizacionais de Consultorias, Bancos e Telecom. É Diretor Executivo do ICA-TI (Instituto de Coaching Aplicado a TI) e fundador da Revista Visão Ágil, já escreveu sobre Agile e Coaching para portais e revistas do Brasil e exterior. Também palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Possui as certificações PPC, CAC, CEC da SBC/BCI, Worth Ethic Corporation, CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil.

4 thoughts on “Pratique AgileMMA e faça uma adoção pragmática e sistêmica de Agile

  1. Manoel, excelente artigo. Na prática é o que vemos acontecer. As organizações se encontram em contextos distintos e não tem lógica aplicarmos o mesmo ou um único método para todas. O martelo é sempre muito bom para pregar, agora para parafusar, já será um tanto difícil.

  2. Considero o artigo um reforço ao velho conselho: “Não existe bala de prata”. Considero também um reflexo dos trabalhos publicados pelo Dr. Alistair Cockburn, que vem chamando atenção há mais de uma década, através de livros, artigos e palestras, para o perigo de se restringir a uma única metodologia de desenvolvimento de software.
    Cockburn cita, inclusive, o conceito shu-ha-ri aplicável tanto às artes marciais quando às práticas ágeis. Ele apresenta a família Crystal de métodos ágeis visando o alcance do nível mais elevado (ri), que inclui a maestria na seleção, combinação e adaptação das diversas práticas de desenvolvimento de software conhecidas.

  3. Pingback: AgileMMA: Como ser ágil em um ambiente cascata? « Blog Visão Ágil

  4. Pingback: Como ser ágil em um ambiente cascata? « ICA-TI

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